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“Redondinho, redondinho, como a pedra de um moinho.
O que é?”

“Tem dentes que não comem, Barbas, e não é homem.
O que é?”

“Entre trinta e duas pedras brancas,
Está uma moira encantada;
Quer chova, quer faça sol, Sempre a noiva está molhada.
O que é?”

“Se na Itália é um rio,
E na China é uma cidade,
Em Portugal, tão pequeno!
Incomoda sem piedade.
O que é?”

“Casita branca,
Sem porta nem tranca.
O que é?”

“Não sabe andar a cavalo,
E traz esporas nos pés;
E leva a serra à cabeça…
Adivinha, ou parvo és…
O que é?”

“Quanto maior é, menos se vê.
O que é?”

“Os dois filhinhos que tenho,
São muito trabalhadores,
Dão voltas, voltas e voltas,
Sem fazer caso de dores.
Os que sofrem e se amofinam,
Porque prolongo os seus ais;
Os que riem mal me querem,
Porque me mexo de mais.
Eu, insensível às queixas,
Sabendo que o mundo é vario,
Vou andando, vou andando,
A cumprir o meu fadário.
O que é?”

“Tendo nascido nos montes,
Neles não posso morar.
Percorro-os, galgo-os depressa,
Sem nada me fatigar.
Mas quando o caminho é plano,
Então vou mais devagar;
E quando termino a carreira,
Meu nome vejo acabar.
Corro de noite e de dia
Sempre, sempre, sem parar.
O que é?”

“Eu entro em todas as casas,
Às gentes eu desespero;
Como el-rei como à mesa,
Daqueles pratos qu’eu quero.
E quer seja moça formosa,
Quer pobre, quer abastada,
Quer seja sã, ou tolhida,
Por mim há-de ser beijada.
O que é?”

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VALVERDE, Maria, Qual é coisa, qual é ela? Adivinhas e charadas para as crianças, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1920, BNP.

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Os Sete Sábios
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Pintassilgo
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Corcundas
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Esperteza Raposa
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A Cabacinha
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Dr. Grilo
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Guerra Grilo Leão
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O Príncipe Encantado
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“Perú velho
Quer casar.
Menina bonita
Não ha de lograr.”

“- Minhoto, minhoto,
Que levas no goto?
- Sardinha assada.
- Quem t’a assou?
- Maria gou-gou;
Passou pelo rio
E não se molhou,
Comeu uma broa
E não se fartou.
Comeu um bolo,
E arrebentou.”

“Amanhã é domingo, Pé de pingo;
Gallo francez, Pica na rez.
A rez é miúda, Pica na tumba.
A tumba é de barro, Pica no ar.
O ar é fino, Pica no sino.
O sino é d’oiro, Pica no toiro.
O toiro é bravo, Pica no fidalgo.
O fidalgo é ladrão, Rouba o cordão
À Senhora Da Conceição.”

“Sermão de São Coelho,
Com o seu barrete vermelho,
Com uma espada de cortiça
Para matar a carriça;
A carriça deu um berro,
Toda a gente se espantou,
Só uma velha ficou
Dentro d’um sapato.
Sape, gato! Sape, gato!”

“- Vassoirinha, vassoirinha.
Varre tu esta casinha;
Vassoirinha, vassoirão,
Varre-m’este casarão.”

“- Pardal pardo, porque palras? - Eu palro e palrarei,
Porque sou o pardal pardo,
Palrador d’el-rei.”

“- Ó menina d’este casal,
Diga-me se mora aqui
O padre Pedro Pires Pisco Paschoal?
- Não sei qual é esse Pedro Pires Pisco Paschoal,
Porque aqui n’estes casaes
Ha tres padres Pedro Pires Piscos Paschoaes.”

“Quem pouco panno pardo tem
Escassa capa parda faz.”

“Tão balalão,
Morreu o Simão,
Ficaram os filhos,
Comeram o pão.
Tão balalão,
Morreu o Simão,
Focinho de burro,
Cara de cão.
Tão balalão,
Morreu o Simão,
Na terra dos mouros,
Senhor capitão.
Tão balalão,
Cabeça de cão,
Cabeça de gato,
Não tem coração.”

“- Bichinha gata,
Tu que papaste?
- Sopas de leite.
- Não me guardaste?
- Sim, guardei-te.
- Com que tapaste?
- Rabo do gato.
- Sape-te gato
Bicho do mato,
Sape-te gato.”

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COELHO, F. Adolfo, Jogos e Rimas Infantis, 2.ª edição, Porto, Companhia Portugueza Editora, 1919, BNP.